Chivukuvuku critica ausência de múltiplas candidaturas e relaciona caso Higino Carneiro à falta de democracia interna
Chivukuvuku critica ausência de múltiplas candidaturas e defende que a democracia dentro dos partidos políticos angolanos continua a enfrentar obstáculos que comprometem a participação livre dos militantes e o fortalecimento das instituições democráticas. As declarações foram feitas durante o encerramento do 1.º Congresso Ordinário da Juventude Servidora de Angola (JSA), braço juvenil do PRA-JA Servir Angola.
Sem mencionar diretamente o MPLA numa crítica institucional, o líder do PRA-JA fez uma clara referência à recente anulação da candidatura do general reformado Higino Carneiro à liderança do partido no poder. Segundo Chivukuvuku, acontecimentos dessa natureza demonstram que, em determinadas organizações políticas, a existência de mais de um candidato continua a ser vista como um problema, quando deveria representar um exercício saudável da democracia.
“Ontem ouvimos o chumbo de um candidato que quer concorrer à presidência de um partido. As múltiplas candidaturas são difíceis em algumas organizações políticas”, afirmou.
Democracia deve começar dentro dos partidos
Na intervenção, Chivukuvuku sustentou que a democracia interna constitui um dos pilares fundamentais de qualquer sistema representativo. Na sua perspetiva, não basta defender eleições livres para o país se os próprios partidos não permitirem que diferentes candidatos disputem legitimamente os cargos de direção.
O político argumentou que a concorrência interna fortalece as organizações partidárias, promove o debate de ideias e aumenta a legitimidade das lideranças escolhidas pelos militantes.
Para o presidente do PRA-JA Servir Angola, limitar ou inviabilizar candidaturas alternativas transmite um sinal preocupante sobre o funcionamento democrático das instituições políticas.
Caso Higino Carneiro reacende debate
Embora não tenha desenvolvido o caso em profundidade, a referência de Chivukuvuku surge poucos dias depois de o MPLA ter decidido invalidar a candidatura de Higino Carneiro à presidência do partido, alegando irregularidades no processo de recolha de assinaturas e documentação.
A decisão provocou diferentes reações no espaço político angolano e voltou a colocar em debate a transparência dos processos internos das formações políticas.
Para vários observadores, independentemente dos fundamentos legais apresentados, episódios desta natureza acabam por alimentar dúvidas sobre o verdadeiro espaço concedido à competição interna nos partidos.
PRA-JA apresenta exemplo de disputa interna
Ao contrário do que considera acontecer em algumas organizações políticas, Chivukuvuku destacou o congresso da Juventude Servidora de Angola como exemplo de participação democrática.
Segundo explicou, quatro candidatos concorreram ao cargo de secretário nacional da organização juvenil, num processo eleitoral que decorreu através do voto dos delegados presentes.
O dirigente afirmou que a realização de eleições competitivas demonstra que é possível fortalecer a democracia interna sem comprometer a unidade partidária.
No final do congresso, Mateus Mutunda Sadraque foi eleito secretário nacional da JSA, superando os restantes concorrentes numa votação realizada entre mais de duas centenas de delegados.
Mudança política continua na agenda
Durante o discurso, Abel Chivukuvuku defendeu igualmente que o atual momento político representa uma oportunidade para preparar uma alternativa de governação em Angola.
O líder do PRA-JA considera que o partido deve continuar a trabalhar junto das comunidades, ouvindo as principais preocupações da população, entre elas o desemprego juvenil, a pobreza extrema e a insuficiência de infraestruturas básicas.
Segundo afirmou, estas questões deverão estar no centro das propostas políticas apresentadas aos angolanos com vista às eleições gerais previstas para 2027.
Análise: democracia não pode ser seletiva
As declarações de Chivukuvuku voltam a levantar uma questão sensível na política nacional: até que ponto os partidos estão verdadeiramente preparados para aceitar a competição interna.
Num Estado democrático, a pluralidade de candidaturas deve ser encarada como um mecanismo de fortalecimento institucional e não como uma ameaça às lideranças estabelecidas. Quando os militantes deixam de ter alternativas reais de escolha, a confiança nos processos internos tende a diminuir e cresce a perceção de que determinadas decisões já estão previamente definidas.
Independentemente do partido em causa, a consolidação da democracia angolana exige que as regras sejam transparentes, iguais para todos os concorrentes e aplicadas sem margem para dúvidas. Só assim será possível fortalecer a confiança dos cidadãos nas organizações políticas e garantir que a renovação das lideranças resulta da vontade expressa dos militantes e não apenas de decisões administrativas.
Fonte: Novo Jornal
Redação: Angola Breaking News
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