Marcolino Moco critica direção do MPLA e voltou a agitar o debate político em Angola ao acusar a direção do partido no poder de adotar posições contraditórias e de recorrer à justiça como instrumento para influenciar a disputa interna rumo ao Congresso marcado para dezembro. O antigo primeiro-ministro utilizou as redes sociais para divulgar uma reflexão severa sobre o atual momento político do país.
Num texto intitulado “Vergonha devia existir”, Marcolino Moco lamenta aquilo que considera ser uma crescente deterioração dos valores éticos na vida pública angolana. Para o histórico dirigente, a Constituição de 2010 contribuiu para um ambiente político que favorece práticas incoerentes e enfraquece a credibilidade das instituições.
Antes de abordar o tema central, Moco fez uma breve referência ao futebol, recorrendo ao humor para mencionar Cristiano Ronaldo. No entanto, rapidamente direcionou a sua mensagem para questões políticas, afirmando que a realidade de Angola exige uma reflexão séria sobre o funcionamento do poder.
Moco aponta incoerência na liderança do MPLA
Na publicação, o antigo secretário-geral do MPLA questiona a forma como o partido passou a aceitar com naturalidade a separação entre a liderança partidária e a chefia do Estado, depois de, durante anos, rejeitar essa possibilidade.
Segundo Marcolino Moco, essa mudança demonstra uma evidente falta de coerência política. O ex-governante considera preocupante que posições antes combatidas sejam agora apresentadas como normais, conforme os interesses da atual liderança.
Para Moco, essa postura revela uma “memória curta” dentro do partido e na sociedade, permitindo que decisões contraditórias sejam aceites sem um verdadeiro debate público.
Antigo primeiro-ministro questiona atuação da justiça
Outro ponto que mereceu duras críticas foi o recurso a processos judiciais envolvendo figuras ligadas ao MPLA, numa fase em que decorrem movimentações para o Congresso do partido.
Embora não tenha identificado nomes específicos, Marcolino Moco sugeriu que a justiça poderá estar a ser utilizada de forma seletiva para limitar determinadas candidaturas internas.
Na sua visão, caso os mesmos critérios fossem aplicados a todas as situações semelhantes, as consequências poderiam comprometer não apenas o funcionamento do MPLA, mas também diversas instituições do Estado.
O antigo chefe do Governo recordou ainda que, no passado, apresentou propostas destinadas a evitar este tipo de conflitos, mas afirma que essas soluções nunca foram consideradas.
Defesa da ética na política
Apesar das críticas, Marcolino Moco esclareceu que não apoia qualquer candidato ao próximo Congresso do MPLA. Segundo explicou, a sua intervenção pretende apenas chamar a atenção para a importância da ética e da responsabilidade na atividade política.
O antigo governante defendeu que a ideia de que “na política não há vergonha” representa um risco para toda a sociedade, sobretudo pelo exemplo transmitido às novas gerações.
As declarações surgem numa altura em que cresce a tensão política em torno do Congresso do MPLA, marcado por disputas internas, debates sobre a sucessão partidária e questionamentos sobre o papel das instituições judiciais em processos envolvendo figuras políticas.
Redação: Angola Breaking News
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