Lukamba Gato voltou a levantar um debate sensível sobre as prioridades sociais do Estado angolano. O político questionou a decisão do Governo de manifestar disponibilidade para acolher crianças ucranianas afetadas pela guerra, enquanto milhares de crianças angolanas continuam a viver nas ruas, sem acesso a proteção, educação e condições dignas de sobrevivência.
Segundo Lukamba Gato, a solidariedade internacional é um gesto importante e merece reconhecimento. No entanto, defende que essa mesma preocupação deve começar pelas crianças do próprio país, muitas das quais enfrentam diariamente a pobreza extrema, o abandono e a exclusão social.
O posicionamento surge numa altura em que Angola estuda a participação num programa humanitário e educativo destinado a receber crianças da Ucrânia afetadas pelo conflito armado. A iniciativa tem sido apresentada como um gesto de cooperação internacional, mas também despertou críticas sobre a realidade social vivida dentro das fronteiras nacionais.
Crianças angolanas continuam sem respostas

Na sua reflexão, Lukamba Gato questiona quando o Estado apresentará uma resposta igualmente firme para as milhares de crianças angolanas que sobrevivem nas ruas das principais cidades do país.
O político lembra ainda a situação de menores angolanos que vivem como mendigos em cidades da Namíbia, realidade que, segundo ele, também exige uma intervenção urgente das autoridades.
Para Lukamba Gato, não basta demonstrar solidariedade perante crises internacionais se os problemas sociais internos continuam sem soluções estruturais e eficazes.
Prioridade deve começar dentro de casa
O antigo responsável defende que a verdadeira grandeza de um Estado mede-se pela capacidade de proteger os seus próprios cidadãos, especialmente as crianças, consideradas o futuro da nação.
Na sua visão, Angola deve continuar disponível para colaborar com iniciativas humanitárias internacionais, mas sem negligenciar a responsabilidade de retirar das ruas milhares de crianças angolanas que vivem em situação de vulnerabilidade.
A declaração de Lukamba Gato reacende um debate sobre as políticas públicas de proteção à infância e sobre a necessidade de reforçar programas sociais que garantam educação, alimentação, saúde e oportunidades para as crianças mais desfavorecidas.
Enquanto o país manifesta abertura para acolher menores vindos de zonas de conflito, cresce igualmente a expectativa de que sejam anunciadas medidas concretas para responder aos desafios enfrentados diariamente pelas crianças angolanas que continuam à espera de uma oportunidade para construir um futuro melhor.
Redação: Angola Breaking News
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