O processo interno de preparação do próximo congresso do MPLA continua a gerar interrogações e polémicas, depois de surgirem dúvidas em torno do acesso às fichas de subscrição utilizadas na candidatura do Presidente João Lourenço à liderança do partido.
Segundo informações tornadas públicas pelo analista José Gama, a Subcomissão de Candidaturas terá entregue apenas no final do mês de abril o formulário-modelo oficial ao general Higino Carneiro, documento necessário para a recolha de assinaturas de apoio à sua candidatura à presidência do MPLA. Entretanto, no dia 9 de maio, o Bureau Político do partido anunciou oficialmente que João Lourenço também avançaria para a corrida interna.
A situação começou a levantar suspeitas depois de, no dia 11 de maio, a candidatura de João Lourenço ter dado entrada de mais de 11 mil fichas de subscrição. O detalhe que alimenta os questionamentos prende-se com o facto de o dia 10 de maio ter sido domingo, período em que, alegadamente, a Subcomissão de Candidaturas não esteve em funcionamento.
Perante esse cenário, surgem dúvidas sobre como a equipa de João Lourenço conseguiu obter, preencher e organizar em tão curto espaço de tempo milhares de formulários oficiais exigidos pelo regulamento interno do partido. Críticos e observadores políticos defendem que o MPLA deve esclarecimentos públicos para evitar a percepção de favorecimento institucional dentro do processo eleitoral interno.
Nos bastidores políticos, o episódio está a ser interpretado como mais um sinal das tensões existentes entre sectores do partido que defendem uma maior abertura democrática e aqueles que continuam alinhados com a actual liderança. A pré-candidatura de Higino Carneiro tem vindo a ganhar destaque precisamente por apresentar-se como alternativa à continuidade de João Lourenço na presidência do partido.
Analistas consideram que a credibilidade do congresso do MPLA poderá ficar fragilizada caso não haja transparência suficiente na condução das candidaturas. Para muitos militantes, a igualdade de tratamento entre os concorrentes é um elemento fundamental para preservar a unidade interna e evitar acusações de manipulação do aparelho partidário.
Até ao momento, a direcção do MPLA não respondeu oficialmente às dúvidas levantadas em torno do acesso às fichas de subscrição utilizadas pela candidatura de João Lourenço.
Fonte: José Gama
Redação: Angola Breaking News
