Assembleia Nacional reage à polémica sobre salários dos deputados
A recente polémica em torno do alegado aumento salarial dos deputados da Assembleia Nacional continua a gerar fortes reações entre os angolanos. Depois de várias notícias e publicações nas redes sociais denunciarem um suposto novo aumento dos vencimentos dos parlamentares, o Parlamento veio a público esclarecer que não houve qualquer aumento extraordinário aprovado exclusivamente para os deputados.
Segundo a Assembleia Nacional, os deputados beneficiaram dos mesmos ajustamentos salariais aplicados a toda a Função Pública nos últimos anos, através de decretos presidenciais que determinaram aumentos sucessivos de 5%, 25% e 10% nos salários-base. Estes reajustes foram implementados através do Sistema Integrado de Gestão Financeira do Estado (SIGFE), tal como aconteceu com os demais funcionários públicos.
O que mudou afinal?
De acordo com o esclarecimento oficial, as recentes resoluções aprovadas pela Assembleia Nacional tiveram apenas o objetivo de formalizar juridicamente valores salariais que já estavam a ser pagos desde 2024. Ou seja, o Parlamento sustenta que não criou um novo aumento salarial, mas apenas regularizou administrativamente uma situação já existente.
Entretanto, documentos divulgados recentemente mostram que o salário-base dos deputados passou para cerca de 790 mil kwanzas, enquanto o da presidente da Assembleia Nacional foi fixado em aproximadamente 877 mil kwanzas. As autoridades justificam os valores com a necessidade de preservar o poder de compra perante a inflação e o aumento do custo de vida.
Reações da sociedade continuam divididas
Apesar das explicações apresentadas pela Assembleia Nacional, muitos cidadãos questionam a oportunidade política destes ajustamentos num momento em que grande parte da população enfrenta dificuldades económicas, desemprego, aumento dos preços dos bens essenciais e redução do poder de compra.
Nas redes sociais, diversos utilizadores consideram que a prioridade do país deveria ser a melhoria das condições de vida dos professores, médicos, enfermeiros e demais trabalhadores que enfrentam diariamente desafios nos serviços públicos. Outros defendem que os deputados têm direito aos mesmos reajustes concedidos ao restante funcionalismo público.
A polémica revela, mais uma vez, a crescente distância entre as preocupações da população e as decisões tomadas pelas instituições do Estado, especialmente num período marcado por dificuldades económicas e forte pressão social.
Transparência e prestação de contas continuam a ser exigidas
Especialistas defendem que, independentemente da legalidade dos reajustes, a transparência na gestão dos recursos públicos deve ser reforçada para evitar desconfianças e garantir maior confiança dos cidadãos nas instituições.
Num contexto de inflação persistente e desafios económicos, o debate sobre os salários dos titulares de cargos públicos deverá continuar a ocupar espaço na agenda política angolana nos próximos meses.
Fonte: Valor Econômico
Redação: Angola Breaking News
- Tribunal da Relação de Lisboa dá razão a Isabel dos Santos em disputa ligada à compra da Efacec
- SONKO DECLARA GUERRA POLÍTICA NO SENEGAL E DESAFIA “PODERES ILIMITADOS” DO PRESIDENTE
- Senegal em choque: Presidente Bassirou Faye afasta Ousmane Sonko e dissolve Governo
- Polêmica: Governo Angolano Compra SUV Blindado de 487 Mil
- PGR Reabre Pressão Judicial Contra Higino Carneiro em Meio a Suspeitas de Perseguição Política


