CIVICOP garante tratamento igualitário às vítimas

A CIVICOP garante tratamento igualitário às vítimas dos conflitos políticos ocorridos em Angola entre 1975 e 2002, numa posição que surge poucos dias depois de a UNITA ter anunciado o abandono da Comissão para a Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP), alegando divergências sobre a condução do processo de reconciliação nacional.

A garantia foi reafirmada pelo secretário de Estado para a Comunicação Social, Nuno Caldas, durante a cerimónia de entrega de onze ossadas identificadas entre cerca de 600 restos mortais encontrados no Cemitério da Mulemba, em Luanda.

CIVICOP garante tratamento igualitário às vítimas sem distinção política

Segundo Nuno Caldas, a comissão continua comprometida com a missão de localizar, identificar e entregar os restos mortais às respectivas famílias, independentemente da filiação política das vítimas.

O governante assegurou que o processo contempla cidadãos ligados tanto ao MPLA como à UNITA, procurando respeitar os princípios de justiça, memória e reconciliação nacional.

A declaração ganha relevância num momento em que o principal partido da oposição decidiu afastar-se da CIVICOP, alegando falta de confiança no modelo actualmente adoptado para o tratamento das vítimas dos conflitos políticos.

Apelo à colaboração da UNITA

Durante a cerimónia, Nuno Caldas apelou à cooperação da UNITA para facilitar a localização e eventual exumação dos restos mortais de Sebastião Dembo, antigo dirigente do partido.

De acordo com o secretário de Estado, a colaboração entre as partes poderá acelerar o processo e permitir que os familiares tenham acesso aos restos mortais do antigo líder político.

O responsável destacou ainda que o objectivo principal da comissão é proporcionar às famílias a possibilidade de realizarem funerais condignos e encerrarem capítulos marcados por décadas de sofrimento e incerteza.

Caso Sebastião Dembo continua a merecer atenção

O caso de Sebastião Dembo continua a ser um dos mais simbólicos no âmbito dos trabalhos da CIVICOP. A localização dos seus restos mortais tem sido apontada como uma das prioridades para responder às expectativas da família e de membros da UNITA.

Nuno Caldas reiterou que a comissão permanece disponível para trabalhar com todas as forças políticas e com os familiares das vítimas, defendendo que a reconciliação nacional deve ser construída através da verdade histórica e do respeito pela memória de todos os angolanos afectados pelos conflitos.

Debate sobre a reconciliação nacional continua

A reafirmação de que a CIVICOP garante tratamento igualitário às vítimas surge num contexto de crescente debate sobre o processo de reconciliação em Angola. Analistas consideram que a saída da UNITA da comissão representa um desafio adicional para os esforços de construção de consensos em torno da memória dos conflitos políticos.

Apesar das divergências, o Executivo mantém a posição de que o trabalho da CIVICOP deve prosseguir, defendendo que a identificação e entrega dos restos mortais às famílias constituem um passo importante para consolidar a reconciliação nacional e preservar a memória histórica do país.

Fonte: Civicop

Redação: Angola Breaking News

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