Corrupção em Angola voltou a estar no centro das críticas do presidente do Partido Liberal, Luís de Castro, que acusa o sistema político e institucional do país de funcionar sob uma lógica de impunidade, falta de responsabilização e ausência de mecanismos eficazes de fiscalização.
Numa posição marcada por fortes críticas ao funcionamento do Estado, o líder político considera que existe uma cadeia de responsabilidades na qual, segundo afirma, ninguém é verdadeiramente responsabilizado pelos seus actos. Para Luís de Castro, esta realidade contribui para a normalização de práticas que prejudicam directamente o cidadão e comprometem o futuro do país.
Corrupção em Angola e a falta de responsabilização
Luís de Castro aponta para aquilo que considera ser um dos principais problemas da governação: a falta de responsabilização de quem administra recursos públicos. Na sua análise, enquanto alguns responsáveis políticos são acusados de retirar benefícios pessoais do sistema, administradores também são apontados por alegados desvios de recursos que deveriam estar destinados a serviços essenciais.
Entre as áreas mais afectadas, o presidente do Partido Liberal destaca a educação, a saúde e os sectores ligados à segurança e à justiça. Professores, enfermeiros, médicos, polícias e magistrados de primeira instância, segundo a sua leitura, continuam a enfrentar dificuldades e limitações materiais apesar do papel fundamental que desempenham diariamente na manutenção do Estado.
A questão colocada por Luís de Castro é directa: se aqueles que sustentam diariamente o funcionamento das instituições continuam sem condições adequadas, que futuro está a ser construído para Angola?
“O país está a morrer aos poucos”
Na sua declaração, Luís de Castro sustenta que Angola não estaria a enfrentar dificuldades por falta de recursos, mas por aquilo que classifica como falta de ética, responsabilidade e sentido de Estado.
A crítica coloca novamente no centro do debate público o problema da corrupção em Angola, fenómeno que há anos ocupa espaço nas discussões políticas, económicas e sociais do país. Para o dirigente liberal, não basta reconhecer a existência de problemas. É necessário criar instituições capazes de investigar, fiscalizar e responsabilizar efectivamente aqueles que prejudicam o interesse público.
A sua posição também questiona a forma como os recursos públicos são administrados e distribuídos, sobretudo quando existem sectores fundamentais que continuam a enfrentar dificuldades para prestar serviços de qualidade à população.
Executivo, Legislativo e Judicial sob críticas
Outro ponto destacado por Luís de Castro está relacionado com a independência dos três poderes do Estado.
Numa República, Executivo, Legislativo e Judicial deveriam funcionar com autonomia, fiscalização recíproca e mecanismos de equilíbrio. No entanto, o presidente do Partido Liberal considera que, na prática, as instituições podem estar excessivamente próximas umas das outras.
Luís de Castro recorre a uma comparação particularmente crítica ao afirmar que os três poderes parecem viver numa espécie de “casamento em comunhão de bens”, numa alusão à percepção de que cada estrutura procuraria defender os seus próprios interesses enquanto o cidadão comum acaba por suportar as consequências.
A crítica levanta uma questão central para a democracia angolana: até que ponto existem mecanismos independentes e suficientemente fortes para fiscalizar o exercício do poder?
Críticas ao MPLA e à permanência de velhos vícios
Luís de Castro direcciona igualmente parte das suas críticas ao MPLA, partido que governa Angola desde a independência.
Na sua perspectiva, as disputas internas por lugares, posições e influência política acabam por afastar os responsáveis daquilo que considera ser a principal missão de qualquer governo: servir a Nação.
O dirigente liberal questiona ainda a diferença entre as gerações políticas que passaram pelo poder, defendendo que a mudança de rostos não significa necessariamente uma transformação profunda na forma de governar.
A sua crítica à corrupção em Angola está precisamente relacionada com essa ideia. Para Luís de Castro, se novos dirigentes apenas reproduzirem práticas antigas, a mudança geracional não será suficiente para alterar os problemas estruturais do país.
Angola precisa de instituições independentes
Entre as soluções defendidas pelo presidente do Partido Liberal estão o reforço da ética na política, a independência efectiva das instituições, a prestação de contas e a responsabilização daqueles que lesarem o Estado.
A posição de Luís de Castro surge num contexto em que a discussão sobre corrupção em Angola continua ligada a temas como transparência na gestão pública, fiscalização das despesas do Estado e responsabilização de titulares de cargos públicos.
Para o líder político, a corrupção e a impunidade não podem ser tratadas como fenómenos normais da vida nacional. O combate a estas práticas, segundo a sua posição, exige instituições com capacidade real para actuar independentemente de interesses políticos ou pessoais.
“Angola não pode continuar a ser propriedade de alguns”
Na parte final da sua declaração, Luís de Castro defende que o país precisa de uma mudança profunda na relação entre o poder político e o cidadão.
Para o presidente do Partido Liberal, governar deve significar assumir uma responsabilidade perante toda a Nação e não utilizar o poder público para beneficiar grupos restritos.
A crítica à corrupção em Angola apresentada por Luís de Castro termina, assim, com um apelo à ética, à responsabilidade e ao fortalecimento das instituições. O dirigente considera que os angolanos merecem um Estado mais justo, transparente e responsável, capaz de utilizar os recursos nacionais em benefício da maioria.
A mensagem é também dirigida às novas gerações, que, na sua visão, não devem limitar-se a substituir os rostos daqueles que estão no poder, mas devem romper com práticas que contribuam para a manutenção da impunidade.
“Os nossos filhos merecem mais”, defende Luís de Castro, numa reflexão que coloca novamente em debate o futuro da governação angolana e a necessidade de combater a corrupção em Angola.
No encerramento da sua mensagem, o presidente do Partido Liberal deixa uma expressão de esperança e fé, desejando que Deus abençoe Angola e os angolanos.
Fonte: Declaração de Luís de Castro, presidente do Partido Liberal.
Redação: Angola Breaking News
