
O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, voltou a expor aquilo que considera ser a verdadeira face da política externa angolana, ao partilhar na rede social X imagens e documentos que confirmam o apoio político continuado do MPLA e do Governo de João Lourenço ao regime venezuelano de Nicolás Maduro, amplamente contestado a nível internacional.
As publicações reacendem o debate sobre a coerência do discurso democrático assumido pelo Executivo angolano e a sua prática política concreta no plano internacional.
Reconhecimento de Maduro apesar da contestação internacional
Entre os documentos divulgados consta uma notícia publicada a 4 de março de 2019 pelo portal português DN Notícias, com base na Agência Lusa, onde se refere que Angola “não tem razões para deixar de reconhecer” Nicolás Maduro, por considerar o seu Governo “legítimo e eleito”.

Na altura, quando vários países e organizações internacionais questionavam a legitimidade do processo eleitoral venezuelano, Angola optou por defender Maduro, sustentando que o diálogo seria a única solução para a crise política na Venezuela. Para a UNITA, esta posição colocou o país do lado errado da história, ao alinhar-se com um regime acusado de violações sistemáticas dos direitos humanos.
Relações partidárias entre MPLA e PSUV expostas
Outra imagem partilhada por Adalberto Costa Júnior refere-se a um comunicado oficial do MPLA, datado de 17 de abril de 2025, que dá conta de um encontro em Luanda entre o secretário-geral do partido no poder, Paulo Pombolo, e representantes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

O documento destaca a intenção de aprofundar as relações político-partidárias entre as duas formações, confirmando, segundo a oposição, que não se trata apenas de cooperação diplomática entre Estados, mas de uma aliança ideológica entre partidos no poder.
Apoio incondicional do Governo de João Lourenço
Para a UNITA, os factos agora relembrados demonstram que o MPLA e o Governo liderado por João Lourenço foram apoiantes incondicionais de Nicolás Maduro, posição evidenciada por parcerias, acordos bilaterais e alinhamentos políticos firmados entre Angola e a Venezuela ao longo dos últimos anos.
A oposição considera que este apoio persistente ignora deliberadamente a crise humanitária, económica e social vivida pelo povo venezuelano, bem como as sanções e condenações impostas por diversos organismos internacionais.
Democracia no discurso, autoritarismo na prática?
Adalberto Costa Júnior entende que existe uma contradição grave entre o discurso oficial do Executivo angolano que se apresenta como defensor da democracia, da boa governação e dos direitos humanos e a sua prática externa, marcada por alianças com regimes autoritários.
Para a UNITA, esta postura fragiliza a credibilidade internacional de Angola e levanta dúvidas sobre o real compromisso do Governo com a alternância política e os valores democráticos, tanto fora como dentro do país.
Impacto na imagem internacional de Angola
A partilha surge num momento em que Angola tenta afirmar-se como mediador regional e parceiro credível no continente africano. No entanto, segundo a oposição, o contínuo alinhamento com regimes como o de Nicolás Maduro compromete essa ambição e expõe uma política externa baseada mais em solidariedades ideológicas do que em princípios universais.
Até ao momento, o MPLA não reagiu oficialmente às críticas levantadas pelo presidente da UNITA. Ainda assim, o tema promete intensificar o debate político nacional sobre o rumo da diplomacia angolana e as consequências dessas escolhas para o futuro do país.
Redação: Angola Breaking News
