Dois homens vestindo trajes tradicionais da África Ocidental estão lado a lado; um usa óculos e boné azul, enquanto o outro, com barba curta e roupa escura, parece sério em meio a fundos desfocados - sugerindo a guerra política em curso no Senegal envolvendo Ousmane Sonko.Dois homens vestindo trajes tradicionais da África Ocidental estão lado a lado; um usa óculos e boné azul, enquanto o outro, com barba curta e roupa escura, parece sério em meio a fundos desfocados - sugerindo a guerra política em curso no Senegal envolvendo Ousmane Sonko.

O cenário político no Senegal voltou a aquecer com mais um episódio que promete intensificar a crise no topo do poder. O líder do Pastef, Ousmane Sonko, foi eleito esta terça-feira presidente da Assembleia Nacional do Senegal, numa votação esmagadora que muitos analistas já classificam como uma verdadeira declaração de guerra política ao Presidente Bassirou Diomaye Faye.

A eleição de Sonko acontece após uma surpreendente manobra política dentro do partido no poder, num momento em que crescem os sinais de tensão entre antigos aliados.

SONKO CONSOLIDA PODER NO PARLAMENTO

Com 132 votos em 133 possíveis, Sonko conquistou a liderança da Assembleia Nacional com uma demonstração clara de força política. A votação praticamente unânime revela que o antigo primeiro-ministro continua a controlar uma parte significativa da máquina política senegalesa.

Antes da eleição, o então presidente da Assembleia Nacional, aliado de Sonko, renunciou ao cargo, abrindo caminho para a ascensão do líder do Pastef ao comando do Parlamento.

O gesto foi visto como uma jogada estratégica cuidadosamente preparada para reposicionar Sonko no centro do poder institucional do Senegal.

“NÃO SE PODE FAZER PASTEF SEM O PASTEF”

Durante o seu discurso de abertura, Sonko deixou claro que não pretende permanecer em silêncio após ter sido afastado do cargo de primeiro-ministro.

Ataque directo ao presidencialismo

Num discurso firme e carregado de mensagens políticas, Sonko criticou o modelo de governação do Senegal e denunciou aquilo que chamou de “hiperpresidencialismo”.

“Não se pode fazer Pastef sem o Pastef. O Pastef é único no mundo: é simultaneamente maioritário na oposição e no poder. Não se pode viver numa situação de hiperpresidencialismo no Senegal.”

A declaração foi interpretada como um recado directo ao Presidente Bassirou Diomaye Faye, antigo aliado político de Sonko e actualmente chefe de Estado.

CRISE INTERNA NO PODER SENEGALÊS

O clima político no Senegal começa agora a entrar numa nova fase marcada por disputas internas, rivalidades pelo controlo do Estado e divergências sobre o futuro do partido Pastef.

Analistas acreditam que a eleição de Sonko para a presidência da Assembleia Nacional poderá criar um novo centro de poder dentro do país, capaz de limitar ou até bloquear algumas decisões presidenciais.

Hostilidades oficialmente abertas

A relação entre Sonko e o Presidente Faye parece ter entrado definitivamente num terreno de confronto político aberto.

Nos bastidores, cresce o receio de que a crise provoque divisões profundas dentro do partido governante e aumente a instabilidade política no Senegal nos próximos meses.

Por enquanto, uma coisa parece evidente: Ousmane Sonko não pretende abandonar a luta política e acaba de mostrar que continua a ser uma das figuras mais influentes do Senegal.

O grande filme político senegalês promete novos episódios e cada vez mais explosivos.

Fonte: RFI

Redação: Angola Breaking News

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