A recente manifestação de candidatos não admitidos no concurso público do Ministério da Saúde (MINSA), realizado em 2022, voltou a trazer ao debate a forma de ingresso na função pública em Angola. Apesar de terem alcançado classificações positivas no processo anterior, os manifestantes defendem que deveriam ser integrados diretamente nos quadros do setor, argumento que não convenceu a tutela.
Na terça-feira, 14, um grupo voltou a sair às ruas de Luanda para expressar descontentamento com aquilo que consideram uma exclusão injusta. Os candidatos sustentam que, por terem sido considerados aptos no concurso anterior, o MINSA deveria reconhecer esse mérito e proceder ao seu enquadramento sem a necessidade de um novo processo concursal.
Entretanto, a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, reiterou uma posição firme sobre o assunto. Segundo a governante, não existe qualquer mecanismo legal que permita o ingresso direto na função pública fora do modelo estabelecido por concurso. Para a titular da pasta, insistir em reclamações dessa natureza representa um desperdício de tempo e energia por parte dos candidatos.
De acordo com o MINSA, os processos de recrutamento obedecem a critérios rigorosos, baseados na legislação em vigor, sendo selecionados apenas os candidatos com melhor desempenho. A instituição reforça que não há exceções ao princípio do mérito, considerado essencial para garantir transparência e equidade no acesso ao emprego público.
Face à pressão dos manifestantes, a ministra reuniu-se com representantes do grupo, momento em que voltou a esclarecer que não haverá integração automática. Lutucuta orientou os candidatos a direcionarem os seus esforços para a preparação adequada do próximo concurso público.
Durante o encontro, a responsável sublinhou que todos os cidadãos devem ter igualdade de oportunidades, mas dentro das regras estabelecidas. “O caminho é estudar, preparar-se e alcançar boas classificações”, defendeu, enfatizando que o mérito deve prevalecer sobre qualquer outra consideração.
A contestação destes candidatos não é inédita. Ao longo dos últimos anos, várias ações semelhantes têm sido registadas, refletindo a pressão sobre o setor da saúde e a elevada procura por emprego público. Ainda assim, o posicionamento do MINSA mantém-se inalterado: o acesso à função pública continua dependente de concurso, sem atalhos.
Fonte: TV Hora H
Redação: Angola Breaking News
