
O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, lançou duras críticas à política de endividamento do Estado angolano, alertando para o que classifica como um grave risco à soberania nacional e ao futuro das próximas gerações. A denúncia foi feita através de uma publicação na rede social Facebook, sob o título “Soberania em Risco | O Cancro da Dívida Pública”.
Segundo o líder do maior partido da oposição em Angola, entre 2002 e 2022 o país contraiu, ao longo de 23 anos, um total de 237,9 mil milhões de dólares em Dívida Pública. Deste montante, 130,7 mil milhões correspondem à dívida interna e 105,6 mil milhões à dívida externa, números que, no seu entender, revelam uma gestão financeira preocupante.
Adalberto Costa Júnior sublinha que apenas na actual Legislatura se concentra uma parte significativa da dívida ainda por pagar, estimando que 58% da dívida interna (75,6 mil milhões de dólares) e 65,5 mil milhões da dívida externa, acrescida de 997 milhões de dólares de outras obrigações, recaem sobre o presente ciclo governativo. Para o dirigente da UNITA, esta realidade levanta um sério problema de responsabilidade intergeracional, uma vez que grande parte dessas dívidas ficará para ser liquidada por futuros governos.
“O serviço da Dívida Pública, que inclui juros e amortizações, está a consumir mais de 50% do Orçamento Geral do Estado (OGE)”, denuncia, acrescentando que os objectivos que justificaram a contratação dessas dívidas não foram atingidos em termos de abrangência, qualidade nem durabilidade dos projectos financiados.
Outro ponto crítico destacado pelo político da oposição prende-se com a desigualdade no tratamento dos credores. Enquanto o Governo demonstra rapidez no pagamento da dívida externa, revela-se, segundo ele, “muito lento” no pagamento das dívidas aos empresários que operam no mercado interno, sejam nacionais ou estrangeiros, prejudicando a economia real e o tecido empresarial angolano.
Adalberto Costa Júnior vai mais longe ao afirmar que uma parte significativa da Dívida Pública pode não ser legítima, deixando implícita a necessidade de maior transparência, auditorias independentes e responsabilização na gestão das finanças públicas.
A posição do presidente da UNITA reacende o debate sobre a sustentabilidade da dívida angolana, a prioridade das políticas económicas e o impacto das decisões actuais no futuro do país.
Autor: Adalberto Costa Júnior
Redacção: Angola Breaking News
