
O antigo primeiro-ministro angolano, Marcolino Moco, que se encontra fora do país, quebrou o silêncio para manifestar solidariedade com cidadãos que, segundo afirma, têm sido “vergonhosamente perseguidos” por figuras ligadas ao poder militar, a quem se refere como “generais mialas”.
Apesar de não ser habitual pronunciar-se publicamente quando está no exterior, Moco justificou a sua intervenção como um acto de consciência e solidariedade, sublinhando que não poderia permanecer calado perante o que considera serem injustiças persistentes contra angolanos que exercem pacificamente os seus direitos.
Solidariedade a Teixeira Cândido
Na sua declaração, o político prestou homenagem ao jornalista e dirigente sindical Teixeira Cândido, destacando a sua postura firme e pacífica na defesa das liberdades fundamentais.
Para Moco, a luta de Teixeira Cândido simboliza a resistência contra um sistema que, no seu entender, continua a limitar direitos e garantias. O antigo governante chegou a afirmar que a actual realidade é “pior que o regime colonial”, argumentando que, naquele período, as restrições eram assumidas de forma clara, nomeadamente quanto ao direito à autodeterminação e independência.
Críticas ao rumo político do país
Moco recordou os Acordos de Bicesse, que em 1991 marcaram o abandono formal do modelo de partido-Estado. Contudo, sustenta que esse sistema terá sido reconstituído após o Acordo de Paz de 2002, que pôs fim à guerra civil, comprometendo as expectativas de uma democracia plena.
O antigo primeiro-ministro defende que Angola não deve avançar para novas eleições que considera “opacas”, com o objectivo de renovar o actual regime, sem antes resolver a questão essencial da verdadeira reconciliação nacional.
Reconciliação como prioridade
Moco destacou o Congresso da Reconciliação Nacional realizado no final do ano passado sob a égide da Igreja Católica, onde, segundo referiu, foram apresentados contributos relevantes de jornalistas, juristas e militares sobre reconhecimento de erros, pedidos de perdão e caminhos concretos para sarar feridas históricas.
Na sua visão, Angola precisa de enfrentar o passado com coragem, promovendo uma reconciliação genuína entre diferentes sectores, incluindo figuras historicamente associadas ao poder.
“Angola e suas riquezas chegam para todos”
Concluindo a sua mensagem, Marcolino Moco defendeu que Angola possui recursos suficientes para garantir prosperidade partilhada, insistindo que o país deve ser construído para beneficiar não apenas a geração actual, mas sobretudo os filhos e netos dos angolanos.
A sua intervenção reacende o debate sobre democracia, transparência eleitoral e reconciliação nacional num momento politicamente sensível.
Autor: Marcolino Moco
Redacção: Angola Breaking News
