O presidente do Partido Liberal, Luís de Castro, manifestou preocupação com a crescente influência de grupos económicos no sistema financeiro angolano, alertando para aquilo que considera ser um risco real de “captura do Estado”. As declarações surgem na sequência da entrada do Grupo Carrinho na estrutura acionista do Banco de Fomento Angola (BFA), um dos principais bancos do país.
Segundo o político, a expansão acelerada do Grupo Carrinho em sectores estratégicos da economia nacional levanta sérias dúvidas quanto ao equilíbrio do mercado e à transparência das relações entre o poder político e os grandes grupos empresariais. Nos últimos anos, o grupo tem reforçado a sua presença não apenas no sector industrial e alimentar, mas também no sistema financeiro, com participações relevantes em instituições bancárias como o Banco Keve e o Banco de Comércio e Indústria.
Para Luís de Castro, este crescimento concentrado pode resultar numa acumulação excessiva de poder económico nas mãos de poucos, o que, na sua visão, compromete o funcionamento saudável da economia de mercado. O líder partidário defende que a concentração de bancos e recursos estratégicos não representa desenvolvimento económico sustentável, mas sim um sinal de oligarquização, onde interesses privados passam a influenciar decisões públicas.
O dirigente político sublinha ainda que este fenómeno deve ser acompanhado com atenção pelas instituições reguladoras, de forma a garantir que não haja favorecimentos indevidos nem distorções no ambiente concorrencial. A seu ver, a transparência e o cumprimento rigoroso das regras são essenciais para assegurar a confiança dos cidadãos e dos investidores no sistema financeiro angolano.
O Grupo Carrinho, fundado na década de 1990, tem vindo a consolidar a sua posição como um dos maiores conglomerados empresariais de Angola, com forte presença na produção alimentar, distribuição e, mais recentemente, no sector bancário. A entrada no BFA representa mais um passo na sua estratégia de expansão, reforçando o seu peso na economia nacional.
Entretanto, o debate em torno desta operação continua a dividir opiniões, entre os que veem o crescimento do grupo como sinal de dinamismo económico e os que alertam para os riscos de concentração de poder e possíveis impactos na governação económica do país.
Redação e edição: Angola Breaking News
