
A influenciadora digital Neth Nahara foi condenada, nesta sexta-feira, a 4 anos e 6 meses de prisão efectiva, numa decisão que está a gerar forte controvérsia dentro e fora dos meios jurídicos. A sentença, considerada “dura e desproporcional” por diversos observadores, reacende o debate sobre a coerência e imparcialidade da justiça angolana em casos mediáticos.
O advogado de defesa, Francisco Muteka, não poupou críticas ao tribunal, classificando a decisão como “injusta e incongruente”. Segundo o jurista, o colectivo de juízes deu como provados factos que nunca foram apresentados durante a fase de produção de provas, o que, na sua visão, coloca em causa a credibilidade do processo.
Muteka sublinha que elementos fundamentais foram ignorados pelo tribunal, como:
- a confissão da arguida,
- o arrependimento demonstrado,
- e a reparação dos danos, factores que, tradicionalmente, contribuem para o abrandamento da pena ou até mesmo para a sua suspensão.
⚖️ Tribunal terá sido mais severo que o próprio Ministério Público?
Um dos pontos que mais está a chocar a opinião pública é a afirmação do advogado de que o tribunal foi além do que o Ministério Público pediu, aplicando uma pena mais severa do que a acusação teria solicitado.
Muteka fala em “claro excesso na condenação”, levantando suspeitas sobre possíveis motivações extrajudiciais ou sobre uma tentativa de transformar o caso em exemplo público, penalizando com rigor uma figura amplamente conhecida nas redes sociais.
🔁 Recurso será apresentado: defesa exige liberdade enquanto aguarda nova decisão
O advogado anunciou que irá recorrer da sentença, defendendo que Neth Nahara deveria ter a pena suspensa e aguardar o desfecho do processo em liberdade.
A defesa acredita que uma análise mais rigorosa por um tribunal superior poderá corrigir aquilo que considera uma falha grave na proporcionalidade e na justiça da condenação.
🔥 Reacção pública: debate aceso nas redes e questionamentos sobre o sistema judicial
A sentença provocou forte agitação nas plataformas digitais, onde muitos questionam se a punição é compatível com os factos imputados. Para alguns, o caso parece revelar um endurecimento selectivo da justiça, enquanto outros defendem que a decisão reflete uma tentativa de reafirmar autoridade institucional.
Independentemente das interpretações, o caso de Neth Nahara torna-se mais um episódio que expõe fragilidades, dúvidas e tensões no sistema judicial angolano, levantando questões urgentes sobre transparência, coerência e garantias de defesa.
