
O Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, exonerou, por conveniência de serviço, Luísa Maria Alves Grilo do cargo de Ministra da Educação, colocando fim a um mandato amplamente contestado por professores, encarregados de educação e observadores do sistema educativo nacional.
A exoneração ocorre após um período marcado por forte desgaste político e social no sector da Educação.
A decisão presidencial surge num contexto de desgaste acumulado, num sector historicamente fragilizado e que, durante a gestão de Luísa Grilo, continuou a apresentar problemas estruturais sem soluções eficazes. A distância entre os anúncios oficiais e a realidade vivida nas escolas tornou-se cada vez mais evidente.
Promessas de reforma não se traduziram em melhorias concretas nas escolas públicas.
Durante o seu consulado, mantiveram-se as turmas sobrelotadas, a escassez de salas de aula, a falta de manuais escolares e de materiais didáticos essenciais, bem como as precárias condições de trabalho dos professores, sobretudo nas zonas rurais e periféricas do país.
Sobrelotação, carência de infraestruturas e falta de materiais continuaram a marcar o ensino público.
Outro dos pontos mais críticos do mandato de Luísa Grilo foi a relação conflituosa com os profissionais da educação. Greves sucessivas, reivindicações salariais ignoradas, atrasos na progressão na carreira docente e ausência de diálogo institucional eficaz agravaram a instabilidade no sector.
A relação entre o Ministério da Educação e os professores deteriorou-se significativamente.
A exoneração da agora ex-ministra é interpretada por vários analistas como um reconhecimento implícito do fracasso de uma estratégia excessivamente administrativa e pouco sensível às necessidades reais do sistema educativo.
A mudança no comando do ministério reflete o esgotamento de um modelo de gestão ineficaz.
Em decreto subsequente, o Chefe de Estado nomeou Erika Linete Batalha de Carvalho Aires para o cargo de Ministra da Educação, abrindo um novo ciclo num dos sectores mais estratégicos para o desenvolvimento do país.
A nova ministra assume funções sob elevada expectativa social e pressão por resultados imediatos.
Mais do que uma simples substituição de nomes, o desafio agora colocado ao Executivo é o de romper com práticas que se mostraram ineficientes e avançar para reformas estruturais com impacto real na vida dos alunos, professores e famílias angolanas.
Sem mudanças estruturais, a exoneração corre o risco de ser apenas um gesto político sem efeitos práticos.0
Redação | Angola Breaking News
