
Luanda – Uma recente análise divulgada com base em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) está a gerar intenso debate nas redes sociais. Segundo os números apresentados, cerca de 11 milhões de angolanos em idade ativa não manifestam interesse em trabalhar, informação que rapidamente se tornou viral e motivo de polémica pública.
A referência foi feita durante um espaço de análise económica na TV Zimbo, onde se discutiram indicadores ligados ao mercado de trabalho, incluindo desemprego, subemprego e população economicamente inativa.
O que significam os dados?
Especialistas explicam que o número corresponde à chamada população fora da força de trabalho, cidadãos em idade ativa que não estão empregados nem procuram emprego ativamente.
Entre os principais perfis incluídos nesta categoria estão:
- Estudantes em regime integral
- Donas de casa
- Reformados
- Pessoas desencorajadas por falta de oportunidades
- Trabalhadores do setor informal não declarado
Apesar disso, a expressão “não querem trabalhar” foi interpretada por muitos como uma generalização que não reflete a realidade social do país.
Reações e questionamentos
Nas redes sociais, a reação foi imediata. Centenas de utilizadores questionaram a narrativa associada aos dados estatísticos.
Frases como:
“Está onde o tal trabalho?”
“Quem não quer trabalhar ou quem não encontra emprego?”
“As empresas é que não estão a contratar.”
tornaram-se recorrentes nos comentários.
Para vários analistas, o debate revela uma frustração social acumulada, sobretudo entre os jovens, num contexto em que o acesso ao emprego formal continua limitado.
Desafio estrutural
Economistas defendem que o problema vai além da vontade individual. O crescimento populacional acelerado, a dependência do setor petrolífero e a lenta diversificação económica são fatores apontados como entraves à criação massiva de empregos.
Especialistas alertam ainda que muitos cidadãos deixam de procurar trabalho após sucessivas tentativas sem sucesso, passando a integrar a categoria de “inativos”, o que pode distorcer a perceção pública dos números.
Até ao momento, o INE não reagiu oficialmente às interpretações que circulam nas plataformas digitais.
Redação: Angola Breaking News
