
A audição antecipada de Higino Carneiro na Procuradoria-Geral da República (PGR) abriu uma nova onda de especulações no meio político angolano. A expressão popular do momento “as pessoas mexem” encaixa-se na perfeição ao caso, já que os elementos revelados pelo processo indicam que o antigo governador do Kuando Kubango não deverá enfrentar sozinho as consequências das acusações que lhe são imputadas.
Segundo informações apuradas pela PGR, o “general 4×4” responde a dois processos-crime, um por burla qualificada e outro por peculato, ambos relacionados com a alegada recepção de uma frota de viaturas de luxo oferecida por um empresário durante a sua gestão governativa.
Processo avançou com carácter de urgência
Ao contrário de outros casos semelhantes que permanecem meses sem movimentação, o processo envolvendo Higino Carneiro ganhou prioridade.
A prova disso é que o antigo governador foi ouvido antes da data inicialmente prevista, sinalizando que o caso foi classificado como urgente pelas autoridades.
A distribuição das viaturas e os nomes citados
O ponto que mais tem causado impacto na opinião pública é a lista de figuras influentes do MPLA que aparecem como supostos beneficiários das viaturas alegadamente recebidas e distribuídas por Higino Carneiro.
Entre os nomes citados no processo constam:
- Mara Quiosa, actual vice-presidente do MPLA
- Mário Pinto de Andrade, dirigente sénior do partido
- Luther Rescova (falecido), antigo governador e dirigente destacado
- Esteves Hilário, porta-voz do MPLA
- Dionísio Manuel da Fonseca, à época assessor jurídico da Vice-Presidência e actual ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente João Lourenço
De acordo com os autos, as viaturas teriam sido entregues pelo empresário ao então governador, que posteriormente as distribuiu a vários dirigentes do partido, colocando estas figuras no centro de uma polémica que promete gerar novos desdobramentos.
Um processo com impacto político imprevisível
A eventual responsabilização destas figuras pode alterar significativamente o cenário interno do MPLA, sobretudo num período em que o partido se prepara para o próximo congresso.
Se o processo avançar sem entraves, especialistas acreditam que Higino Carneiro não deverá cair sozinho, dada a quantidade e relevância dos nomes envolvidos.
Enquanto isso, a expressão que viralizou nas ruas continua a ecoar nos bastidores da política: “As pessoas mexem.”
E, segundo comentários que circulam em meios próximos ao General, a sua postura permanece desafiante.
Por: César Chiyaya
