
Neste momento, Angola vive um período marcante com a realização simultânea de dois grandes eventos de interesse público e de profundo valor simbólico: o Congresso de Reconciliação Nacional, promovido pela Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), e a Cerimónia de Condecoração Nacional, que conta com ampla cobertura televisiva e grande destaque nos meios públicos.


Contudo, a forma como esses acontecimentos têm sido tratados pelas emissoras nacionais levanta sérias reflexões sobre o papel e a responsabilidade dos meios de comunicação social em promover a pluralidade e o equilíbrio informativo. No país, existem quatro canais de televisão pública (TPA 1, TPA 2, TPA Notícias e TV Zimbo), todos sustentados com recursos do Estado e, consequentemente, do povo angolano.
Perante isso, surge uma questão fundamental: não seria mais adequado que essas estações dividissem a cobertura, permitindo que algumas se concentrassem na transmissão do Congresso de Reconciliação Nacional, enquanto outras se dedicassem à Cerimónia de Condecoração? Essa partilha justa e equilibrada garantiria que os cidadãos tivessem acesso a ambos os eventos, cada um com o seu valor histórico, político e social.
É importante salientar que, neste exacto momento, a TPA 2 dedica o seu espaço televisivo a programas educativos voltados para crianças, um conteúdo de valor, sem dúvida, mas que, nesta altura, coincide com o período em que a maioria das crianças está nas escolas. Enquanto isso, eventos de relevância nacional acabam ignorados ou subvalorizados, privando o público de acompanhar debates e momentos de grande importância para o país.

A comunicação social pública deve ser espelho da diversidade e promotora de unidade nacional, não um instrumento de exclusão informativa. Saber partilhar, valorizar e equilibrar a informação é, em si mesmo, um ato de reconciliação. Afinal, não faz também parte do verdadeiro espírito de reconciliação nacional dar voz a todos e garantir que todos sejam informados?
Por: Lourenço Lumingo
