
O deputado Nelito Ekuikui, uma das vozes mais firmes da oposição angolana e membro destacado da UNITA, criticou duramente o comportamento recente do Presidente da República, considerando-o um sinal de falta de respeito pelas instituições e pelos valores morais que deveriam nortear o Estado. Em um texto intitulado “Um Presidente que quer competir com todos!”, o parlamentar expressou indignação com a decisão do Chefe de Estado de realizar uma cerimónia oficial no mesmo dia e hora do Congresso da Reconciliação Nacional, promovido pela Igreja Católica, em Luanda.
Segundo Ekuikui, a atitude do Presidente demonstra uma tentativa clara de ofuscar o brilho de um evento que simbolizava um momento histórico de esperança para o povo angolano. “Ao assumir publicamente o compromisso de participar no Congresso da Reconciliação Nacional, uma iniciativa de elevado significado moral e espiritual, criou-se uma expectativa de que finalmente poderíamos dar um passo firme rumo à cura das feridas do passado e à verdadeira unidade dos angolanos”, escreveu o deputado.
Contudo, o político considera que a decisão do Presidente de promover, no mesmo dia, uma cerimónia oficial, rompeu com esse espírito de unidade e revelou um comportamento de competição desnecessária com a Igreja, instituição que, segundo ele, sempre esteve ao lado da paz e da reconciliação em Angola.
“Uma atitude politicamente calculada”
Para Nelito Ekuikui, o gesto do Presidente não foi um mero desencontro de agendas. “Este gesto, mais do que uma simples coincidência, revela uma atitude premeditada e politicamente calculada para desviar as atenções de um movimento que não nasceu do poder, mas sim da fé, da coragem e da vontade do povo”, declarou.
O deputado sublinha que a reconciliação nacional deve ser um esforço coletivo e sincero, livre de protagonismos políticos ou manipulações de imagem. Ele enfatiza que o povo angolano esperava ver, naquele momento, um sinal real de aproximação entre o poder político e as forças espirituais e sociais do país, e não uma competição pelo centro das atenções.
Um verdadeiro líder não teme partilhar o palco da história; antes, reconhece o valor de todos os que constroem a paz e engrandecem o país”, afirma Ekuikui. “Um verdadeiro estadista não precisa competir com a Igreja, porque sabe que a sua missão é governar com humildade, diálogo e verdade.
A injustiça ainda mata mais do que as armas
No seu texto, Nelito Ekuikui também chama atenção para a realidade social difícil que o povo angolano enfrenta. Segundo ele, a reconciliação verdadeira não será alcançada enquanto persistirem a arrogância, a mentira e o desprezo pelos valores morais e cristãos.
“O povo angolano continua a sofrer, a injustiça continua a matar mais do que as armas, e a desigualdade continua a afastar milhões da dignidade que lhes é devida”, escreve o deputado, num tom de lamento e apelo.
Ele defende que o país precisa de um processo de reconciliação autêntico, baseado na verdade e no perdão, e não de gestos simbólicos que apenas alimentam o ego de quem governa. Para Ekuikui, Angola ainda não alcançou o estágio de paz espiritual e social sonhado por Jonas Malheiro Savimbi, o líder fundador da UNITA, cuja memória segundo ele foi desrespeitada pelo comportamento recente do Presidente.
“O Dr. Jonas Malheiro Savimbi, homem de visão, coragem e fé, merecia muito mais do que este espetáculo de desrespeito. Lutou por uma Angola reconciliada, livre e justa, não por uma Angola onde o poder tenta silenciar a consciência nacional.”
A fé não compete com o poder
Nelito Ekuikui reafirma que o Congresso da Reconciliação Nacional foi uma iniciativa de profunda importância moral, promovida pela Igreja Católica com o objetivo de unir os angolanos em torno da verdade e do perdão. Para ele, o evento simbolizou um “altar de fé e esperança” num momento em que muitos cidadãos se sentem desiludidos com a política e com as instituições.
“A reconciliação nacional não é um palco de protagonismo político, mas sim um altar de perdão, verdade e compromisso com o futuro. Nenhum poder terreno poderá apagar a luz da fé e o desejo de um povo que quer viver em paz consigo mesmo”, declarou o parlamentar.
Ele ainda parabenizou os participantes do congresso, afirmando que “estiveram do lado certo da história o lado da fé, da esperança e da unidade”. Já aos que, segundo ele, “preferiram seguir o caminho da arrogância e da competição inútil”, Ekuikui advertiu que o tempo se encarregará de revelar o peso dos seus atos.
Angola merece mais
O discurso do deputado termina com uma nota de resistência e esperança, típica do seu estilo político combativo. Dirigindo-se diretamente ao povo angolano, ele reforça que a luta pela justiça e pela dignidade nacional continua, e que nenhuma tentativa de manipular a fé ou dividir o povo conseguirá apagar o desejo coletivo de mudança.
“Aos angolanos, deixo uma certeza: a luta pela justiça continua. E, enquanto houver um coração que bate com amor à pátria, haverá sempre uma voz a dizer: Angola merece mais!”, concluiu Nelito Ekuikui.“Aos angolanos, deixo uma certeza: a luta pela justiça continua. E, enquanto houver um coração que bate com amor à pátria, haverá sempre uma voz a dizer: Angola merece mais!”, concluiu Nelito Ekuikui.
Contexto político e moral da crítica
A fala do deputado surge num momento em que a relação entre o poder político e as instituições religiosas tem sido marcada por tensões. A Igreja Católica, através da CEAST, tem assumido um papel de destaque na promoção do diálogo e da reconciliação, especialmente após anos de divisão e feridas históricas que ainda persistem no seio da sociedade angolana.
Analistas políticos afirmam que o comportamento do Presidente da República, ao promover um evento no mesmo horário que o Congresso da Reconciliação, foi visto como um ato de desconsideração simbólica em relação à Igreja e aos esforços pela unidade nacional.
Nelito Ekuikui, conhecido por suas posições firmes e pelo discurso moralista, aproveitou o episódio para reforçar o apelo por um novo tipo de liderança em Angola, uma liderança baseada na humildade, na verdade e no respeito mútuo entre Estado, Igreja e povo.
Para ele, a reconciliação nacional não deve ser instrumentalizada politicamente, mas abraçada como um valor espiritual e patriótico que transcende partidos e interesses pessoais.
Com essa intervenção, o deputado reforça o papel da oposição como voz crítica e guardiã dos princípios morais e democráticos. O texto, amplamente compartilhado nas redes sociais, já gera debates entre simpatizantes e críticos, reacendendo a discussão sobre o verdadeiro significado da reconciliação e do papel do Presidente como símbolo da unidade nacional.
Por Redacção Angola Breaking News
Com declarações do deputado Nelito Ekuikui
