Deputado questiona milhões gastos em eventos desportivos enquanto país enfrenta desequilíbrios financeiros

O deputado e dirigente político Nelito Ekuikui voltou a levantar críticas severas à gestão financeira do Executivo angolano. Em reação ao recente anúncio de défice orçamental, Ekuikui afirmou que o Governo tem demonstrado prioridades contraditórias, gastando milhões de kwanzas em eventos de grande dimensão enquanto, posteriormente, justifica desequilíbrios fiscais perante os cidadãos.
A declaração do deputado foi contundente: “Gastaram milhões para um jogo, e agora vêm dizer que temos défice orçamental. E no fim ainda dizem: viva o Governo!” A frase reflete um sentimento crescente entre vários sectores da sociedade que consideram haver falta de coerência entre o discurso oficial e as ações do Executivo.
Um “jogo” que custou caro ao país?
Embora Ekuikui não tenha especificado o evento, a crítica enquadra-se num contexto de gastos elevados associados a jogos internacionais, inaugurações, celebrações nacionais e outras iniciativas de carácter festivo ou desportivo. Estes eventos, muitas vezes realizados com pompa e circunstância, atraem atenção mediática, mas também levantam questões sobre o retorno real para a população e sobre a sua pertinência num período de restrições financeiras.
Nos últimos anos, vários relatórios públicos e análises económicas têm apontado para uma pressão crescente sobre as contas do Estado, influenciada pela oscilação do preço do petróleo, pela queda das receitas fiscais e pelo aumento de despesas não prioritárias. Para Ekuikui, tais gastos revelam uma gestão que privilegia a visibilidade sobre a sustentabilidade económica.
O défice orçamental como reflexo de má gestão?
A crítica do deputado ganha relevância no contexto do défice recentemente anunciado pelo Ministério das Finanças, que expôs um desajuste significativo entre receitas e despesas do Estado. Especialistas em finanças públicas afirmam que um défice pode ser resultado de múltiplos fatores, mas alertam que a falta de disciplina orçamental e o excesso de despesas em sectores não essenciais agravam o problema.
Ekuikui, conhecido por seu discurso direto e postura firme, reforça que o Governo não pode pedir sacrifícios à população enquanto mantém práticas financeiras consideradas irresponsáveis. Para ele, a narrativa de “viva o Governo”, mencionada de forma irónica, reflete uma tentativa de criar um ambiente de normalidade em meio a decisões que afetam negativamente a vida dos angolanos.
Reacções públicas e impacto político
As declarações de Nelito Ekuikui repercutiram nas redes sociais, onde muitos cidadãos expressaram indignação com os gastos públicos, considerando-os desnecessários num momento em que o país enfrenta dificuldades económicas, falta de empregos, aumento do custo de vida e desafios nos sectores social e infraestrutural.
Por outro lado, há quem defenda que alguns eventos desportivos e culturais contribuem para o prestígio nacional, promovem o turismo e estimulam a economia local. Contudo, críticos contra-argumentam que o impacto positivo não justifica investimentos multimilionários quando há prioridades urgentes como saúde, educação e melhoria das condições de vida.
Prioridades em debate
A crítica do deputado reabre o debate sobre quais devem ser as prioridades do Estado angolano num momento em que a população vive a pressão da inflação, a desvalorização da moeda e a redução do poder de compra. Analistas defendem que a transparência nos gastos públicos e a definição clara de prioridades são fundamentais para restabelecer a confiança dos cidadãos.
Enquanto isso, o Governo mantém o discurso de que está a trabalhar para estabilizar a economia e diversificar as fontes de receita. No entanto, figuras da oposição, como Ekuikui, argumentam que sem uma revisão profunda na forma como o dinheiro público é gasto, qualquer discurso de estabilidade será apenas retórico.
Conclusão
A declaração de Nelito Ekuikui não é apenas uma crítica isolada, mas sim um reflexo de um sentimento crescente de insatisfação quanto à gestão financeira do país. Num cenário de défice orçamental, a pressão da sociedade civil e de representantes da oposição tende a aumentar, exigindo que o Executivo preste maiores esclarecimentos sobre a forma como utiliza os recursos públicos.
O debate está lançado, e a questão que permanece é: Angola pode continuar a gastar milhões em eventos de grande impacto enquanto enfrenta dificuldades económicas profundas?
Redação: Angola Breaking News
