
O líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, participou nesta semana de uma audiência com o Papa Leão XIV, no Vaticano, num encontro que marcou um momento de diálogo espiritual e diplomático entre Angola e a Santa Sé. A reunião decorreu num clima de cordialidade e respeito mútuo, refletindo o papel da Igreja Católica como promotora de reconciliação e paz no continente africano.
Durante a audiência, o Papa Leão XIV destacou a importância da fé, da solidariedade e da justiça social como pilares fundamentais para o desenvolvimento humano e político das nações. O Sumo Pontífice expressou ainda o seu apreço pela diversidade cultural e religiosa de Angola, sublinhando que o diálogo entre líderes religiosos e políticos deve servir para aproximar o povo, e não para o dividir.
Por sua vez, Adalberto Costa Júnior agradeceu o acolhimento e transmitiu ao Papa uma mensagem de esperança em nome do povo angolano, frisando que a visita representava mais do que um simples gesto protocolar — era um momento de reflexão sobre o papel dos valores cristãos na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.
Encontro com significado político e espiritual
A presença de Adalberto Costa Júnior no Vaticano ocorre num contexto de intensas movimentações políticas em Angola, onde o debate sobre o futuro do país e a necessidade de reformas democráticas ganha cada vez mais espaço. O líder da UNITA tem defendido, de forma insistente, a necessidade de maior transparência na gestão pública, de combate efetivo à corrupção e de uma governação centrada nas pessoas.
No Vaticano, o político angolano reforçou essa mensagem, afirmando que a espiritualidade deve andar lado a lado com a responsabilidade cívica. “As nações que ignoram os princípios morais e éticos tendem a perder-se no caminho da injustiça e da desigualdade. A fé deve inspirar a boa governação”, teria afirmado Costa Júnior, segundo fontes próximas da delegação.
O Papa Leão XIV, por sua vez, incentivou os líderes africanos a valorizarem o diálogo inter-religioso e a investirem na formação ética da juventude, para que as novas gerações possam ser protagonistas de um futuro melhor. O Pontífice lembrou também que o Vaticano acompanha de perto o desenvolvimento político e social de Angola, elogiando o esforço de muitos fiéis que trabalham em prol das comunidades mais carentes.
Angola e o Vaticano: uma relação histórica
A relação entre Angola e o Vaticano remonta ao período colonial, quando missionários católicos tiveram um papel relevante na educação e na assistência social. Após a independência, em 1975, o Estado angolano e a Santa Sé mantiveram um relacionamento diplomático estável, consolidado com a assinatura do Acordo-Quadro entre ambos em 2019.
Esse acordo permitiu fortalecer a presença da Igreja Católica em diversas áreas, nomeadamente na educação, na saúde e na promoção da paz. O Vaticano tem sido um parceiro importante em momentos de crise e reconciliação nacional, especialmente através da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST).
A visita de Adalberto Costa Júnior ao Vaticano, portanto, insere-se nessa tradição de diálogo e aproximação, mas também reflete um novo momento na relação entre política e fé no contexto angolano. A audiência simboliza uma abertura do líder da oposição a temas espirituais, demonstrando que a religião continua a desempenhar um papel fundamental na formação da consciência política em Angola.
Reações em Angola
A notícia da audiência teve grande repercussão nas redes sociais e nos meios de comunicação nacionais. Enquanto apoiadores de Adalberto Costa Júnior destacaram o simbolismo da visita como sinal de maturidade política e diplomática, críticos apontaram que o encontro poderia ter também objetivos estratégicos, considerando o atual cenário político do país.
Alguns analistas interpretam a visita como uma tentativa de reforçar a imagem internacional do líder da UNITA, apresentando-o como um político moderado, aberto ao diálogo e guiado por princípios éticos. Outros veem o gesto como parte de um esforço mais amplo de aproximação entre a oposição angolana e as instituições religiosas, numa altura em que a população demonstra crescente insatisfação com as condições socioeconômicas.
O teólogo e comentador político Mário José referiu que “a fé e a política não devem ser rivais, mas complementares. Quando um líder político busca a bênção e o conselho do Papa, ele está a demonstrar que deseja alinhar as suas decisões com valores universais, como a justiça, o amor e o respeito pela vida”.
Esperança e compromisso
No final da audiência, o Papa Leão XIV abençoou Adalberto Costa Júnior e expressou votos de prosperidade e paz para o povo angolano. O líder da UNITA, emocionado, afirmou que levará consigo as palavras do Santo Padre como guia espiritual no seu percurso político e humano.
“A mensagem do Papa é clara: só com união, amor e fé poderemos transformar Angola num país onde todos tenham dignidade e oportunidades”, disse Costa Júnior à saída do encontro.
A audiência no Vaticano termina assim como um marco de diálogo e reflexão, mostrando que, mesmo num mundo cada vez mais polarizado, ainda há espaço para a diplomacia espiritual e para a busca de entendimento entre líderes de diferentes esferas.
Redação: Angola Breaking News
