Uma análise recente atribuída ao General Lukamba Gato reacende o debate sobre um dos momentos mais decisivos da história contemporânea de Angola: a declaração de Agostinho Neto, em Outubro de 1975, às vésperas da independência.
Naquele período crítico, o país encontrava-se numa verdadeira encruzilhada histórica. O Acordo que deveria garantir uma transição pacífica o “Acordo de Alvor” rapidamente perdeu força perante a escalada do conflito armado, impulsionado tanto por disputas internas quanto por influências externas no contexto da Guerra Fria.
A afirmação do MPLA como força dominante
Foi neste cenário de tensão que Agostinho Neto proferiu a célebre declaração destacada na manchete do Jornal de Angola: “Não admitiremos outro movimento que não seja o MPLA”. A frase simbolizou mais do que uma posição política, representou uma viragem estrutural no rumo do país.
Ao afirmar a primazia do MPLA, Neto consolidava uma vitória militar sustentada por alianças estratégicas com países e forças como a União Soviética e Cuba, além do apoio de setores ligados ao Movimento das Forças Armadas.
No entanto, essa decisão também marcou o início de uma lógica de exclusão política, afastando os outros movimentos signatários do acordo a FNLA e a UNITA.
O início de um modelo político centralizado
A exclusão desses movimentos não foi apenas um episódio de disputa pelo poder. Segundo a análise atribuída ao General Lukamba Gato, tratou-se do ponto de partida para a construção de um modelo de governação baseado na hegemonia de um único partido.
Nesse contexto, a diversidade política deixou de ser vista como um elemento positivo e passou a ser encarada como ameaça. O Estado emergente passou a confundir-se com o partido dominante, enquanto o adversário político era frequentemente tratado como inimigo.
Consequências duradouras
As implicações dessa escolha foram profundas. Ao invés de uma independência inclusiva e partilhada, Angola mergulhou numa prolongada guerra civil, cujas consequências sociais, económicas e institucionais ainda se fazem sentir décadas depois.
Cinco décadas passadas, muitos analistas apontam que desafios actuais como a partidarização da Administração Pública, a fragilidade institucional, a resistência à alternância de poder e as dificuldades na implementação das autarquias têm raízes nesse momento fundador.
Uma reflexão para o presente
Revisitar Outubro de 1975 não deve ser apenas um exercício histórico, mas uma reflexão crítica sobre o presente. A análise destaca que as decisões tomadas naquele período não eram inevitáveis e que o custo da exclusão continua a ser pago pelas gerações seguintes.
Mais do que julgar os líderes do passado, o foco deve estar na compreensão das escolhas que moldaram o país e na construção de um futuro mais inclusivo.
Como recorda o pensamento de Santo Agostinho: “Errar é humano, mas persistir no erro é diabólico.”
Fonte: General Lukamba Gato
Redação: Angola Breaking News
