
Kampala — O Presidente do Uganda, Yoweri Museveni, voltou a provocar polémica ao declarar publicamente que não teme os Estados Unidos da América e que o seu país possui capacidade militar suficiente para enfrentar forças norte-americanas num eventual confronto terrestre. As declarações foram feitas pouco antes da confirmação da sua mais recente vitória eleitoral, que lhe garantiu um sétimo mandato consecutivo à frente do país.
No poder desde 1986, Museveni, frequentemente apelidado de “presidente-avô” por críticos, comentou também a recente captura do líder venezuelano Nicolás Maduro pelas autoridades norte-americanas, sublinhando que tal acção não o intimida. Segundo o chefe de Estado ugandês, a diferença entre a Venezuela e o Uganda reside na experiência e preparação das suas forças armadas, especialmente em operações no terreno.
Museveni reconheceu, no entanto, que os Estados Unidos detêm uma clara superioridade em termos de poder aéreo e naval. Ainda assim, garantiu que, num cenário de combate terrestre, as tropas ugandesas levariam vantagem, defendendo que operações desse tipo representam elevados riscos para o exército norte-americano. “As operações terrestres são muito perigosas para os EUA”, afirmou, segundo relatos divulgados nas redes sociais e meios de comunicação regionais.
O Presidente foi mais longe ao lançar um aviso directo a Washington, afirmando que qualquer aeronave militar norte-americana que violasse o espaço aéreo do Uganda sem autorização seria abatida. A declaração reforça um discurso de soberania e confronto que Museveni tem utilizado com frequência, sobretudo em contextos de pressão internacional e críticas ao seu regime.
Observadores políticos recordam que Museveni conhece bem a actuação militar dos Estados Unidos em intervenções externas, tendo estado envolvido, directa ou indirectamente, em dinâmicas regionais que culminaram na queda e morte do antigo líder líbio Muamar Gadaffi. Ainda assim, o presidente ugandês insiste que o seu destino seria diferente, sustentando que uma intervenção estrangeira só teria sucesso através de operações aéreas, e não por via terrestre.
As declarações surgem num contexto de crescente debate sobre o autoritarismo em África, a longevidade de líderes no poder e o uso do discurso anti-imperialista como ferramenta política interna, levantando questões sobre até que ponto tais afirmações representam uma real capacidade militar ou uma estratégia de afirmação política.
Autor: César Chiyaya
Redação: Angola Breaking News
