
O deputado da UNITA em Cabinda, Lourenço Lumingo, manifestou-se de forma contundente contra o que considera ser uma “falácia antiga” usada para justificar o atraso no desenvolvimento da província. Em declarações recentes, Lumingo afirmou que “essas falácias de querer unir o que Deus separou já são antigas”, sustentando que o progresso de Cabinda não depende, necessariamente, de uma ligação territorial com Angola.
Segundo o parlamentar, o argumento de que a ausência de uma ligação terrestre com o restante território nacional é a principal causa do subdesenvolvimento da província “é uma desculpa ultrapassada, conversa para adormecer o povo”. Lumingo questiona ainda: “Como andam, em termos de desenvolvimento, as províncias que estão directamente ligadas ao território nacional?” uma provocação que, segundo ele, revela a inconsistência dessa narrativa.

Para o deputado, o verdadeiro problema de Cabinda está nas políticas públicas mal delineadas, na excessiva centralização do poder em Luanda e na falta de autonomia efetiva para a gestão dos recursos locais. “As decisões que afetam o quotidiano dos cabindas são tomadas por indivíduos da cidade alta que mal conhecem as verdadeiras prioridades da província”, lamentou.
Lourenço Lumingo defende que o modelo de governação deve ser urgentemente repensado, de forma a aproximar o poder de decisão das comunidades locais. “O desenvolvimento só será possível quando o poder de decisão estiver mais próximo do povo e quando as políticas forem definidas por quem vive e sente os desafios da província”, destacou.
Com essas declarações, o deputado reforça o debate sobre a descentralização administrativa e a autonomia das províncias, um tema cada vez mais presente na agenda política nacional, sobretudo em regiões que reivindicam maior protagonismo na definição do seu destino.
Redação: Angola Breaking News
